Neste artigo vou lhe explicar como o governo Lula conseguiu essa proeza através do déficit nominal.

O que significa “déficit nominal”?

O déficit nominal é o resultado das contas do governo já incluindo o pagamento dos juros da dívida pública.

Em termos simples:

Déficit nominal = gastos totais + juros da dívida – receitas

Ou seja, ele mostra quanto o setor público (União, Estados, municípios e estatais) ficou “no vermelho” no acumulado de 12 meses.

Isso é diferente do déficit primário, que não inclui juros.

Esse ponto é muito importante, porque no Brasil o custo dos juros pesa bastante.

O número principal do gráfico

O destaque maior é este:

• R$ 1,089 trilhão em fevereiro de 2026

Isso significa que, somando os últimos 12 meses até fevereiro, o setor público acumulou um déficit nominal de aproximadamente:

• R$ 1,09 trilhão

É um valor extremamente elevado.

Linha do tempo do gráfico

1) 2016–2019: déficit alto, mas menor que hoje

No início do gráfico:

• Janeiro de 2016: R$ 644,4 bilhões

• Dezembro de 2018: R$ 487,4 bilhões

Nesse período houve déficit elevado, mas ainda abaixo do patamar atual.

Isso reflete recessão, queda de arrecadação e juros altos.

2) Pandemia (2020–2021): explosão do déficit

O gráfico marca claramente o início da pandemia em março de 2020.

Depois disso, o déficit piora muito.

O ponto mais crítico foi:

• Janeiro de 2021: R$ 1,016 trilhão

Isso ocorreu por causa de:

• Auxílio emergencial

• Gastos de saúde

• Programas de crédito

• Queda na atividade econômica

• Aumento forte do endividamento

Esse salto foi um efeito extraordinário da pandemia.

3) Recuperação parcial (2021–2022)

Após o pico da pandemia, o déficit melhora:

• R$ 460,4 bilhões

Essa melhora aconteceu porque:

• A economia reabriu

• A arrecadação subiu

• Gastos emergenciais diminuíram

4) Nova deterioração (2023–2026)

A partir de 2023 o gráfico mostra nova piora.

Chega a:

• Julho de 2024: R$ 1,127 trilhão

Depois melhora um pouco, mas volta a ficar muito alto:

• Fevereiro de 2026: R$ 1,089 trilhão

Isso mostra que o déficit voltou ao nível de mais de 1 trilhão, próximo ao pior momento da pandemia.

O que está puxando esse número para cima?

O principal fator é o custo dos juros da dívida pública.

O próprio Tesouro informou que a dívida federal chegou a:

• R$ 8,84 trilhões em fevereiro de 2026

Quanto maior a dívida e quanto maiores os juros, maior o déficit nominal.

Em fevereiro, somente a apropriação de juros da dívida foi de cerca de:

• R$ 73,9 bilhões no mês

Isso ajuda a explicar por que o déficit nominal fica tão elevado mesmo quando o resultado primário não é tão ruim.

Ponto importante: déficit nominal ≠ “dinheiro perdido”

Muitas pessoas olham o gráfico e pensam que o governo “gastou 1 trilhão a mais”.

Não é exatamente isso.

Grande parte desse valor vem de:

• Juros da dívida

• Rolagem do endividamento

• Atualização monetária dos títulos públicos

Ou seja, não é apenas gasto direto com programas e despesas correntes.

Resumo em uma frase

O gráfico mostra que as contas públicas brasileiras continuam profundamente deficitárias quando se incluem os juros da dívida, com o acumulado de 12 meses em fevereiro de 2026 chegando a R$ 1,09 trilhão, nível próximo ao pior momento da pandemia.